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A MULHER E O FILÓSOFO

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cielo estrelado
*Nonato Reis
A noite caíra feito breu sobre a paisagem, desfigurando a silhueta das casas e as ondulações físicas da cidade, transformando o conjunto de pedras e cimento numa mancha acinzelada. Afora o barulho de uma bomba caseira espocando ao longe e o eventual canto estridente de um pássaro que cruzava o espaço indo e voltando, tudo era quietude. Sentou-se ao pé do cruzeiro de madeira, fixado sobre uma base de concreto, de frente para a Igreja Matriz. Olhou o céu sem lua salpicado de pontos brilhantes e foi como sair de órbita e viajar para uma época distante.
Viu-se menino em sua casinha de taipa e telhas de barro, às margens do rio Maracu, a contemplar o espetáculo cintilante das noites escuras de verão. As estrelas eram luzes acesas na abóbada celeste por ordem de Deus Pai, para mostrar aos homens o destino da humanidade, ou quem sabe as suas próprias origens. A morte era o quê? Um fim em si mesmo, ou uma ponte, uma passagem para o desconhecido? Imaginá-la como a decomposição da matéria pura e simplesmente dava-lhe náuseas e arrepios ao mesmo tempo. Que triste, apodrecer enterrado dentro de um buraco, sem ninguém para nos socorrer.
- O que você procura no céu? O presente, o passado ou um barquinho de papel?
A pergunta, surgida do nada, trouxe-o de volta à realidade com a força de um choque eletromagnético, como se de súbito desperto de um sono pesado. “O que você faz aqui a essa hora?”. Olhou para frente e viu um vulto delgado ao pé do cruzeiro, mãos à cintura. Parecia fitá-lo ou apenas cobrar-lhe uma resposta. Balbuciou algo ininteligível. Sentia-se como violado em seu território sagrado. Já se preparava para sair dali e o intruso sentou-se do lado sobre a pedra fria e úmida de sereno.
- Por que será que o céu estrelado atrai o olhar das pessoas? Será a cápsula de mistério que o envolve, a curiosidade que se tem pelo desconhecido ou uma vaga intuição de que, ali, naquele emaranhado de estrelas, esteja situado o Reino dos Céus, apregoado pela Bíblia, e se esclareça afinal as questões que atormentam o homem desde tempos imemoriais: ‘o que sou, por que estou aqui, de onde vim, para onde vou’”. Viu-se interessado na abordagem da mulher, pois que também se ocupava com aquelas questões de fundo existencial.
Ensaiou a resposta mais sincera que lhe pareceu. “Eu não sei o que procuro. Mas desconfio que o ser humano é uma ponte entre extremos e que os polos dessa equação está dentro de nós ou no espaço infinito”. A mulher repetiu a frase “uma ponte entre extremos”. E ele continuou. “A morte e a vida podem ser apenas estações ou portas desse quebra-cabeça”.
- Você acha que, ao morrer, o homem descobre o que ele é?”, ela quis saber. “Eu não sei. Quando menino, no Igarapé do Engenho, eu gostava de conversar com a lua, porque era o astro que parecia mais próximo de mim. Eu achava que nela existia um mundo habitado por pessoas que viveram na Terra. Depois li as teses de Galileu e de Copérnico e vi que a Terra, na verdade, é um mundo irrisório, desprezível mesmo do ponto de vista físico, quando confrontado com a grandeza do universo”.
- O que você acha que existe nas estrelas?” As perguntas dela em nada ajudavam a esclarecer os enigmas que o atormentavam, mas ele gostava daquele exercício mental, e prosseguiu. “As estrelas são mundos habitáveis ou não”. “Você acha que lá tem vida?” “A vida como a concebemos, talvez não; mas quem sabe uma outra estrutura orgânica, com formação molecular diferente. É quase certo que nesse gigantismo cósmico existam milhares de mundos, alguns até iguais à Terra, outros mais evoluídos em conhecimento e tecnologia”.
- Agora me lembro de uma passagem da Bíblia, em que Jesus dizia que no reino do Pai existem muitas moradas. É a isso que você se refere?”. O homem deu de ombros. “Jesus usava uma linguagem alegórica, mas não há como negar essa interconexão. A lógica nos diz que a Terra não está sozinha no universo – isso pode ser comprovado a olho nu – e que, se aqui existe vida inteligente, é muito provável que exista também em outros pontos da imensidão cósmica”.
Deram-se uma pausa e ambos ficaram absortos em seus pensamentos a contemplarem o espetáculo cintilante sobre eles. Ele observou as “Três Marias” que piscavam esmaecidas. “Tá vendo lá? Na verdade não são apenas três estrelas, essas são apenas as mais visíveis. Estão dentro de um quadrilátero, que forma o Cinturão de Orion”.
- Quem é você, de onde vem, como se chama?
- Pode me chamar de “Filósofo” – é como a maioria me conhece. Sou filho de Viana, nasci ali no Ibacazinho, a meia hora a pé daqui. Não cursei Filosofia nem qualquer faculdade de ciências humanas, mas sou fascinado por questões relacionadas à origem da vida. O Espiritismo diz que o homem nasce e renasce várias vezes e que habita os astros conforme o grau de adiantamento moral e intelectual. Isso me parece de acordo com a multiplicidade dos mundos. Se eles existem aos turbilhões, devem receber espíritos de diferentes ordens evolutivas.
- Alice é o meu nome. Estudei Letras, ensino Português e Redação e moro num sítio ali pertinho da Gurgueia, repleto de árvores seculares”. O filósofo gostou da apresentação e quis saber mais sobre o sítio dela. “No passado dizem que era chamado de Tamancão e que o seu proprietário se chamava Cirilo. Foi quem teria plantado os pés de manga, pitomba, sapoti, jaca, ingá e tantas outras árvores frutíferas que existem lá. Na lua cheia fica tudo prateado, uma beleza que só vê e sente quem tem alma, se é que você me entende. O céu estrelado nem se fala. É lindo demais”.
O filósofo falou como se confidenciasse um segredo a si mesmo. “Sempre gostei dessa vida do mato, cercada de natureza, e agora, vivendo na cidade, me dou conta de como isso está enraizado em mim”.
Alice concordou com a cabeça e depois completou. “Conhecemos o cheiro da natureza”. Ele divagou. “Sonho terminar os meus dias longe da vida urbana, num rancho à beira do rio Maracu, comendo peixe fresco e legumes cultivados em horta”. “Eu também quero isso, acabar como os meus pais, que morreram abençoados (no torrão que lhes viu nascerem)”.
Ele olhou o relógio de pulso. Passava das 2 da manhã. “Você é uma mulher sensível. Gosta de poesia, adora a natureza, se emociona com uma rosa, ou com um gesto de carinho. Isso vale uma vida. Justifica a sua existência aqui, ou em qualquer lugar desse universo. Porque se existe uma lei imutável e universal, é a lei do amor”. Alice acompanhou o raciocínio dele. “Tudo na vida tem um significado, não é? O fato de estarmos aqui, a dialogar sobre essas coisas, independente da hora e das convenções”.
Alice olhou o céu. “Olha lá, o Cruzeiro do Sul! Se eu tiver outra vida, quero nascer em uma das cinco estrelas”. Os olhos do filósofo assumiram um ar de professor. “A propósito, você sabe por que o Cruzeiro do Sul aparece próximo da linha do equador e na direção do polo sul celeste?” “Nunca me disseram e eu também não perguntei. Por quê?” “É por causa de um movimento chamado “precessão”, que provoca alteração no eixo giratório da Terra. Ao longo dos séculos essa constelação tem-se aproximado do hemisfério sul, fazendo com que seja visível nesse lado do Planeta. Bom, mas isso é só um detalhe”.
O filósofo levantou-se e fez menção de partir e ela o interpelou. “Como posso manter contato contigo, você tem e-mail, frequenta rede social?”. Ele pareceu desconversar.
– Você conhece a estrela vespertina?
– O planeta Vênus, você quer dizer?
– Todo cair de noite, sem lua, olhe para o céu e converse com ela. Desde os 12 anos, todas as noites de céu estrelado eu cumpro este ritual.
Deu-lhe um tapinha nas costas e se foi afastando. “Você acha justo usar uma metáfora como disfarce?”. Ele falou sem olhar para atrás. “Os espíritos se comunicam por pensamento, porém os humanos precisam de um vértice. Vênus será a nossa comunhão”. Alice arriscou uma última pergunta. “Você disse ‘todo cair de noite, sem lua’. Por quê?” E ele: “A lua, apesar de bela, ofusca o olhar, como se fora um véu. A estrela, ao contrário, o dissipa”. E sumiu na escuridão.
* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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