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DORA E A PINTINHA DE SANGUE NA CALCINHA

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*Nonato Reis

Tem professora que a gente não esquece mesmo. Passam-se os anos e ela continua ali, dona de uma parte preciosa da nossa memória. Eu tinha dez anos, era um menino sob todos os aspectos, com o acréscimo de pertencer a uma comunidade rural, viver em meio à natureza, longe das novidades e da vida corrida dos centros urbanos. Já tivera algumas professoras, porém todas adeptas da velha palmatória como símbolo de rudeza e disciplina.
Quando cheguei no colégio Zilda Dias Guimarães, o famoso ZDG, cujas letras iniciais apareciam em alto relevo na cor azul marinho, estampadas na manga da camiseta branca, tudo era novidade. A começar pela própria aparência física da escola. Ao contrário de casebres de palha ou de salões de fazenda do meio agreste, o ZDG era um prédio enorme e moderno para os meus padrões de construção e novinho em folha.
A escola tinha um formato quadrangular. No meio dela havia uma quadra de esporte, devidamente sinalizada, com traves e tudo, e contornando a quadra, um corredor dava acesso às salas de aula, num total de oito. Também havia salas de diretoria, secretaria, cantina e banheiros – um para cada sexo. Ali na quadra com a presença do governador da época, comemorou-se o Sesquicentenário da Independência.
Gelei quando vi Dora adentrar a sala do quarto ano Primário, vestida naquele seu sorriso acolhedor, fala mansa, educada, parecendo uma princesa. Ela caminhou até a mesa, ali depositou alguns livros e a bolsa tiracolo, depois deu “bom dia”. Era o primeiro dia de aula, e quis conhecer cada um dos seus novos alunos. “Você, como se chama? E você? …” Chegou a minha vez e com voz trêmula respondi: “Raimundo Nonato Reis Mendonça” “Oh, que nome bonito! Mas de agora em diante você será apenas Raimundo, pode ser?”.
Eu odiava o meu nome e o via como uma espécie de castigo divino contra a minha mãe, que antes de casar, prometera jamais colocar o nome de Raimundo ou Raimunda em seus filhos. Queimou a língua duas vezes. A primogênita chama-se Raimunda de Fátima; e eu, terceiro filho, tive que carregar o resto da “maldição”. Porém, na voz de Dora meu nome ganhava uma sonoridade especial, como se apenas existisse eu no mundo um Raimundo.
Dora era uma professora diferente das demais que houvera tido. Novinha, parecia uma aluna mais velha, pele morena, olhos castanhos dourados, altura mediana, e aquela voz aveludada que me chegava aos ouvidos feito música.
Eu queria ser grande aos olhos dela, alguém destacado, que ela visse como especial, e não apenas mais um aluno. Para isso eu só tinha um caminho: dedicar-me aos livros à exaustão, ser o melhor da turma em toda e qualquer disciplina.
Varava noites, os olhos grudados nos livros, o cheiro forte de querosene entrando pelas narinas, a mente cansada de sono, e a minha mãe a brigar. “Menino, vem deitar! Estudar é bom, mas assim já é demais. Desse jeito amanhã tu vais dormir na escola. Onde já se viu passar a noite em claro!”.
No dia seguinte eu estava mais morto do que vivo, mas a cada elogio dela eu tomava uma injeção nova de ânimo. “Raimundo, nota 10! Parabéns”. Os dez foram se multiplicando na caderneta e eu não admitia mais um nove sequer. Se tirava 9,9, eu fechava o tempo, perdia até a vontade de viver. “Raimundo, que é isso? Sua nota é linda! Devia estar feliz, foi a maior de todas”, dizia ela tentando me reconfortar.
Os fins de semana, antes aguardados com tanta ansiedade para as “peladas” e banho de rio, passaram a ser um martírio. Sofria a dor da ausência dela no fundo da alma. Na sexta-feira à tarde, logo ao chegar em casa, eu já me sentia sem uma parte de mim. Era uma tristeza de fazer dó. Não comia, quase não bebia, não sentia vontade de fazer nada. Meus pais achavam que eu sofria de alguma doença. “Meu filho está perdendo peso, parece um aracu desovado”, lamentava-se minha mãe.
Para aumentar o meu drama, a voz de Agnaldo Timóteo martelava-me os ouvidos a toda hora com a música “O relógio da praça”(Meu amor está tão longe/que até já me esqueceu/o relógio lá da praça/não se cansa de marcar).
Um dia cheguei na turma e encontrei um ambiente hostil. Havia muito falatório, os alunos cochichavam entre si. Dora não se encontrava na sala. Quis saber o que houvera. Ademar, que dividia a carteira comigo, falou-me baixinho. “Cara, foi o maior rolo! O Zequinha e o Júlio se deitaram no chão para ver a calcinha da professora”.
Aquilo me ferveu o sangue. “Por que fizeram isso?” “A professora estava sentada com as pernas abertas, dava para ver a calcinha dela, que era branca, e uma pintinha de sangue bem no triângulo”.
Meus olhos faiscaram. A minha vontade foi acertar logo as contas com os malfeitores. Ademar me explicou que, denunciados pelas garotas do fundo da sala, os dois foram levados à presença da diretora, que os suspendera por sete dias.
Eu passei dias estranho. Sentia uma raiva louca dentro de mim. Aquilo era o mesmo que blasfemar uma divindade. Eu tinha Dora como uma santa e não admitia um gesto sequer que a reduzisse à condição de mortal. A lembrança da pinta de sangue me dava arrepio, porque remetia à ideia de menstruação. Não podia ser. Com Dora não.

Ela percebeu a minha mudança. Recusara o lugar ao seu lado, que me destinara tão logo me tornei o primeiro aluno da classe. Não falava mais com ela, não a acompanhava até sua casa ao final das aulas, como fazia regularmente. Sequer respondia as questões que me dirigia em sala de aula. “Raimundo, em que região do Brasil fica o Arroio Chuí?” “Eu não sei” “Como não, você sabe tudo!” “Desaprendi”.
Até que um dia, depois da aula, chamou-me até a cantina e quis saber o que se passava comigo. “Raimundo, essa tua indiferença está me deixando mal. Parece que eu deixei de existir para ti. Pode me dizer o que aconteceu?” Eu não me fiz de rogado e puxei o assunto que me afogava a alma.
Ela ouviu em silêncio e depois falou naquela sua voz sonora. “Eu compreendo a tua revolta. Também fiquei muito mal com aquilo. Mas são coisas de criança. Eles nem sabiam ao certo o que estavam fazendo”. “Mas você sabia”, retruquei. “Eu sabia? Como pode dizer isso? Por que então ficou naquela posição, com as pernas afastadas? “Meu Deus, eu estava relaxada, passando um ditado, foi um momento de distração”.
Fiz questão de deixar claro a minha contrariedade. “Eu não gostei. Não admito que ninguém fale mal de você, nem que se aproxime com segundas intenções”.
Ela então abriu aquele sorriso que me desarmava, acolheu-me num abraço forte e depois falou. “Raimundo, você é um menino lindo e está se deixando levar por ciúme. Sei que um pouco mais adiante nem vai se lembrar de mim, mas quero que saiba o quanto gosto de você”. E então, me olhando nos olhos, brincou: “Você quer me namorar?”.

 

* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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