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NONATO TRAVASSOS: A CAMÉLIA QUE CAIU DO GALHO

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*Nonato Reis

Falar de Nonato Travassos é fazer um voo rasante pelo passado e cruzar com ícones de beleza e encantamento. Época em que Viana ocupava o centro das atenções, como berço do melhor carnaval de interior.
Milhares de pessoas, vindas de dentro e de fora do Estado, acorriam para aquele lugar esquecido do mapa, aventurando-se por viagens épicas a bordo de ônibus velhos e paus de arara, que trafegavam por estradas esburacadas e repletas de lama. Viagens que, de tão complicadas, davam a sensação de não atingir jamais o destino traçado.
Nos quatro dias de folia uma multidão tomava conta da cidade, superlotando as ruas e os clubes sociais, dos quais o mais charmoso era o Grêmio Recreativo Vianense, não apenas por concentrar a elite da cidade, mas também por oferecer a melhor festa, animada por uma banda de música legendária, que tinha Nonato Travassos como o seu fundador e líder.
Era como se o paraíso prometido por Deus saltasse dos livros sagrados para a vida concreta das pessoas, num sentido transversal e permissivo, livre das ameaças do pecado e do fogo eterno.
Nonato fez história no carnaval de Viana, com talento e criatividade. Numa época dominada pelas orquestras, ele organizou uma banda musical de ponta, mesclando instrumentos de sopro e de corda. Ali reinou absoluto por mais de uma década. Falar de Grêmio e de carnaval passava inevitavelmente por aquela figura alegre e bonachona.
Lembro-me como se fosse hoje do primeiro carnaval de que participei. Completara 16 anos e o meu pai decidiu que era hora de fazer com que eu ensaiasse os primeiros passos no território da mulher.
Entrei no Grêmio apinhado de gente e fiquei como que embasbacado com a decoração e o jogo de luzes, o ambiente mágico da música, aquele som melódico a explodir os tímpanos.
Olhei o salão, e o desfile de mulheres lindas, maquiadas e sorridentes, me tirou do pino. Tomei parte na mesa que o meu pai me indicou. O garçom apareceu com cerveja e uísque. Eu me abstive de beber. Não na frente do velho. Um pouco adiante, escoltado por dois colegas de vadiagem e protegido no meio da multidão, esvaziei em dois tempos dois copos de Drurys.
Foi o bastante para que eu perdesse o excesso de cerimônia.
Saí aos pulos pelo salão a bordo de um cortejo feminino que cruzara o meu caminho. Logo enlaçara pela cintura uma morena linda que surgiu a minha frente, toda pintada. Ela me olhou e sorriu provocante. Me senti dono da situação.
Nonato, com o seu saxofone inseparável, começou a tocar um samba que se tornaria espécie de hino informal da cidade. “Adeus Viana, vou partir, vou te deixar/ comigo vai a saudade em teu lugar/Viana, terra querida/ hei de te lembrar por toda vida”.
A cabeça girando feito peão e o coração batendo descompassado, ajustei-me nos braços da mulher e colei o meu rosto no dela. O calor do contato de peles me fez estremecer e desejar que aquele sonho jamais terminasse. Mas Nonato, indiferente ao que se passava comigo, cortou bruscamente a música e principiou um som acelerado, arrancando-me daquele idílio.
Nossos olhares se cruzarem, e ele, como a se desculpar, sorriu-me sem graça, no que eu reagi com um pensamento inconfesso: “filho da puta”.
Os anos se passaram, Nonato despareceu do cenário musical de Viana, para habitar o imaginário da cidade como lenda. Eu nunca tive contato direto com ele, apesar de manter laços de parentesco com a minha família pelo lado dos Travassos. Ele vem a ser primo da minha mãe, sobrinho da minha avó materna, a quem visitava frequentemente enquanto ela esteve neste plano físico.
Faço todo esse preâmbulo para chegar ao núcleo do que interessa. Ontem fui almoçar com minha mãe, ainda em comemoração ao meu aniversário. Mal sentei à mesa e ouço aquele som melódico de um velho sax a inundar toda a casa, tocando o clássico “Parabéns pra Você”. Olho para trás e dou de cara com aquele sujeito rechonchudo, o olhar cândido e a cabeça branquinha, caminhando em minha direção, imponente com o seu instrumento de sopro.
Não contive a emoção. Fui ao encontro dele e o abracei demoradamente. “Nonato! Que surpresa, cara! O que foi isso?”. Ele me explicou que soube do meu aniversário e pediu permissão à família para fazer-me aquela homenagem. Depois do parabéns tocou quase todas as músicas da época de ouro do carnaval de Viana. Também contou histórias. Ele sabe muitas.
Uma delas. Nos anos 80, no carnaval do Grêmio, ele e sua banda tocavam a música “Jardineira”, quando Antoninho Furtado, pai de Sebastião Furtado (vaqueiro da Fazenda Bacazinho), sofreu um infarto fulminante em pleno salão e morreu ali mesmo, ainda nos braços da neta Gorete, com quem dançava.
Foi um alarido danado. A banda parou de tocar. Todo mundo em volta de Antoninho já desfalecido. Alguém chega por trás, esbaforido, e quer saber o que aconteceu. Zé Gato, irmão de Antoninho, e conhecido pelo senso de humor, não perdeu a pose, e respondeu. “Foi a camélia que caiu do galho”.
Se é verdade que uma foto vale mais do que mil palavras, posso dizer que um gesto fala bem mais do que todas as imagens reunidas. Não há palavra nem fotografia que expresse a alegria de ter Nonato Travassos na comemoração do meu aniversário.

…………………………..

*Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. É autor dos romances “Lipe e Juliana” (2017) e “A Saga de Amaralinda” (2018) e do livro de contos e crônicas “A Fazenda Bacazinho” (2019).

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