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O CANTO APAVORANTE DO ACAUÃ

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* Nonato Reis

Cova!!!
Do alto do velho tamarindeiro que guarnecia a entrada da casa da Fazenda Bacazinho, ou Fazenda da Santa, o canto agudo do gavião ecoou mata adentro como um aviso sinistro.
Ato contínuo as janelas das casas ao redor abriram e fecharam três vezes, para afastar o mau agouro, moradores fizeram o sinal da cruz e alguns até dirigiram silenciosa prece ao Altíssimo, pedindo a providencial intercessão contra a aproximação da nuvem escura.
No Ibacazinho e redondezas, o acauã era tratado com um misto de medo e respeito. Dependendo do tom que desse ao canto, podia significar chuva, seca ou morte. Se emitia um som mais prolongado parecido com “acauã” significava chuva próxima, se curto e socado, do tipo “cova!”, era defunto na certa.
Lembro de quando Brazilino, um pescador baixo e atarracado, após fazer compra no comércio do tio Zeca, abastecendo a canoa em que viaja de gêneros de primeira necessidade – querosene, café, açúcar, farinha, fumo de rolo e sabão – sumiu sem deixar rastro. O acauã não parou mais de cantar naquele ritual fúnebre; “cova… cova… cova!”.
Não deu outra.
Um grupo de moradores, entre eles meu pai, o tio José Maria Cidreira e o primo Reginaldo Denis, saiu navegando pelo rio Maracu à procura do corpo. Localizaram a canoa dele à deriva, o cadáver boiando dentro de uma mela (clareira aberta no meio das árvores para a pesca de tarrafa), os abutres já fazendo a festa com a carne em decomposição.
Depois de morto, Brazilino ganharia o apelido de “Baixinho” e o espectro dele passaria a infernizar a vida dos pescadores, que se aventuravam na captura do bagrinho – peixe de couro muito apreciado na Baixada -, noite alta, nas proximidades de onde fora enterrado feito indigente. Do enterro em diante o lugar ficaria conhecido como “O pesqueiro do Baixinho”
O acauã metia medo pela precisão das suas premonições. Minha mãe dizia que ela jamais falhava. “Se cantar ‘cova!’ é tiro e queda, morte certa”. Se havia alguém passando mal e a ave emitia o sinal característico, era hora de preparar a mortalha e “fazer sala” (diz-se quando, desenganado, o doente entra em compasso de espera para o desenlace e os parentes ficam de guarda na casa, dia e noite, revezando-se na assistência ao moribundo).
Um dia, tarde alta, quase noite, o acauã principiou de repente o seu grito apavorante. “Cova!”. Apurei os ouvidos e vi que vinha da direção da Fazenda Bacazinho. “Quem será que morreu…”. pensei comigo. Não demorou meu pai, que chegava de Viana, trazia a notícia da morte trágica de um senhor chamado Esperidião e de um filho seu. Os dois acabavam de ser assassinados a facadas a poucos metros do lugar conhecido por Tapagem de Terra, a apenas dois quilômetros da cidade. “Quando colocaram o corpo do velho em cima de um caminhão o sangue jorrava de um buraco na garganta feito gado abatido em matadouro”, contou o meu pai.
Com a minha avó Mariana aconteceu a mesma coisa. Há mais de um mês ela padecia de pneumonia, que a obrigava a enfrentar crises agudas de falta de ar. O desenlace não vinha, até que o gavião sinistro sobrevoou a velha mangueira Bacuri – que a minha avó plantara em frente a sua casa de taipa – e deu início ao ritual fúnebre.
Dias depois a dona Mariana partia para o plano celestial ao encontro do Pai. Mas ela própria, mulher de fé e devota de São José, tinha os seus próprios meios de antever o futuro, e previu sua morte três meses antes, no dia em que completara 80 anos. “Sei porque sinto a dor no dedinho do pé”, disse, anunciando que aquele seria o seu último aniversário.
Medo do acauã todos tinham, e mesmo os mais corajosos devotavam-lhe um respeito sagrado. O que dizer então de Zé de Velha Cândida, o sujeito que mais temia a morte! De tão grande, o medo virava pavor! Ao menor sinal da presença da ave interrompia seus afazeres e corria para casa, trancando-se no quarto e entrando em estado de meditação e reza, até que alguém “batesse as botas” e ele tivesse a certeza de que a nuvem negra havia se dissipado.
Lembro-me de um certo dia 3 de dezembro, talvez o dia mais triste da minha vida, quando perdi a “Pretinha”, uma porquinha criada em casa na mamadeira.
Ela jazia em dores de parto ao redor do “Pocinho de Vovó” – uma cacimba aberta sob a raiz de uma Popoqueira, a apenas alguns metros do rio Maracu, cuja água, imprópria para consumo humano, servia apenas para lavar roupa e tomar banho.
Zé de Velha Cândida caíra doente de forma irreversível. Os dois – a porquinha e ele – praticamente em coma, e o acauã, do alto de uma velha palmeira babaçu, a clamar pelo desfecho fatal. “Cova! Cova! Cova!”
Não parou mais de cantar, até que a porquinha, após passar por uma cirurgia de improviso à base de tesouras, fios de tecer rede e navalha, fechasse os olhos para sempre, e Zé, afinal, desse o último suspiro.
A partir desse dia, mais do que um sinal de agouro, o aviso do acauã passou a ter um significado de dor, saudade, melancolia. Com a construção da rodovia MA-014 e o processo em curso de desertificação das margens do rio Maracu, a ave desapareceu do cotidiano do Ibacazinho, porém permaneceu na memória de quantos testemunharam o seu canto de maldição. “Cova!”.
integra o livro de contos e crônicas “A Fazenda Bacazinho”, em processo de edição.

* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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