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O LUTO E A MARCHINHA DO ZÉ PEREIRA

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* Nonato Reis

O luto é um desses rituais que acometem as civilizações do Planeta deste tempos imemoriais, independente de credo, origem, cultura ou localização. Do Japão ao Egito, de Singapura aos Estado Unidos, passando pelo Brasil e os demais países latinos, o culto à memória dos mortos se impõe como um dever de família, muitas vezes extensivo ao Estado, divergindo apenas na forma de exprimir o sentimento pela ausência dos que partiram para o Além.
No ocidente, por exemplo, é costume exteriorizar a dor com o uso da cor preta – herança do velho império romano – que pode ser expresso na forma de uma fita no chapéu ou um lacinho no bolso da camisa, mas também tomar toda a indumentária.
A padronização do preto passa a ideia de mistério, noite, de algo carregado. Já no Oriente, especialmente o Japão e a China, a cor predominante é o branco, para simbolizar a leveza e a paz.
O uso da cor varia conforme a cultura, e há lugares onde se usa o azul, o roxo, o amarelo e até o vermelho – caso da África do Sul. O que importa mesmo é mostrar que o coração sangra pela morte de alguém muito querido.

O problema é que, por ser uma simbologia, nem sempre o que se vê é o que de fato acomete a alma. Em Viana dos anos 60 e 70, o luto era de tal forma aplicado que às vezes acabava por provocar situações engraçadas e até bizarras.
Um desses casos aconteceu comigo. Foi na semana em que minha avó paterna morrera. Eu só tinha 13 anos, experimentava a transição da infância para a mocidade, e só pensava em vadiagem. Cinco dias depois do desenlace de D. Mariana, houve um Baile de São Gonçalo, próximo de onde morava. Eu adorava os festejos do santo e esbarrei entre respeitar a memória da falecida e atender aos impulsos do coração. Deixei a razão de lado e segui os prazeres mundanos.
Foi uma noitada memorável, regada a cachaça da terra, e muita curtição nos braços de uma roxa morena – mas roxa até o talo do nariz – ao som de Valdick Soriano e Reginaldo Rossi. Voltei para casa aos primeiros raios da manhã e ao abrir a porta dei com meu pai, ainda com roupa de dormir, envergando em uma das mãos um caniço de pescar piranha. A taca comeu no lombo até que do caniço restassem apenas pedaços.
Anos antes morrera a mãe de um tio por aproximação (na verdade ele era esposo de uma tia minha). Foi em junho de 1966, poucos dias antes da Copa do Mundo daquele ano. O Brasil chegava ao torneio embalado pela conquista do bicampeonato no Chile, e exibia no elenco estrelas consagradas como Pelé, Gerson e Garrincha, todos no auge da forma física e técnica.
O tio era um aficcionado por futebol, desses que não perdem sequer uma “pelada”. O luto o impedia de acompanhar a Copa e para não cair em tentação pediu à concunhada que levasse para a casa dela o velho rádio transglobe.
Aconteceu que o amor pelo futebol falou mais alto e ele não perdeu um jogo sequer. Era o primeiro a chegar na casa da concunhada, todo vestido de preto, e o último a sair, depois que a Rádio Tupi encerrava a programação esportiva.
Dava dó vê-lo feito um boneco de cera, sem poder vibrar junto com a galera a cada gol do Brasil. O martírio dele não foi maior porque naquela copa a seleção canarinho, contrariando todos os prognósticos, se houve muito mal e acabou eliminada ainda na fase de grupos.
Lembro-me também de um caso em que a digníssima matrona de um amigo meu achou de bater as botas logo no mês de fevereiro. O carnaval chegou e, desembarcado de São Luís na noite do primeiro dia da folia, encontrei Aldair, vestido de preto até o chapéu, postado à porta do Clube Alvorada, com os olhos compridos de nostalgia.
Eu o cumprimentei, manifestando o sentimento de pesar, como era de praxe, e quis saber o que ele fazia ali em um local tão impróprio diante daquela circunstância. Meio constrangido, explicou que a namorada estava dentro do clube e, segundo as más línguas haviam-no soprado ao ouvido, enfeitando-lhe os cornos nos braços de outro.
– Nonatinho, me ajuda! Eu preciso dar um flagra nessa ordinária.
– Mas o que posso fazer por ti?
– Troca a tua camisa com a minha. É só o tempo de eu agarrar aquela vadia.
Pego de surpresa, hesitei. Aquilo me parecia fora de propósito, mas diante da insistência e da aflição dele, acabei cedendo. Não havia como recusar ajuda a um amigo que se encontra com os cornos em brasa. Fomos a um puxadinho lateral às escura e com ele troquei de camisa.
Aldair adentrou o clube rapidamente e, ao contrário do que me dissera, caiu no frevo. De tanto esperar pelo retorno dele e prevendo algo de ruim com o amigo, achei por bem verificar a situação com os próprios olhos.

Dentro do clube apinhado fui abrindo caminho pela multidão ensandecida, que se esbaldava ao som da marchinha “Viva Zé Pereira”.
Qual não foi o meu susto ao ver Aldair, aos pulos, suado e já sem camisa, abraçado a duas belas morenas, a gritar “Viva Zé Pereira, que morreu de caganeira”.
Sem nada entender berrei no seu ouvido:
– Cara, que diabo é isso? Tua mãe não morreu?
E ele, sem perder a pose, devolveu:
– Morreu, foi pro céu e me deixou neste inferno. O que posso fazer, senão arder no fogo do Satanás?
Eu, que não tinha nada a ver com a história, passei a mão na cintura de uma das meninas que ele carregava e sair a pular e gritar: “Viva Zé Pereira, que morreu de caganeira”.

 

* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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