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Princesa dos Lagos

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Princesa dos Lagos

.
.
Ah que saudades
Da princesa dos lagos
Onde no período chuvoso
Temos a beleza das águas
Nos campos inundados
Cheios de esperanças
Da diversidade animal
E com sua vegetação
De características próprias.
Banhistas que se divertem
Pescadores aventureiros
E aqueles que retiram
O seu ganha pão
De cada dia.
No período da estiagem
O lago abre passagem
Para o verde do  campo
Para mais de perto
Admirarmos a imponência
Do Mocoroca
E a beleza do Sacoā
Lar dos caboquinhos
E outras espécies
Que soltam seus cantos
Como numa
Orquestra sinfônica.
Eu Vi Ana se encantando
Com a beleza do entardecer
E o vôo bem alto
Dos passarinhos baleias
Para depois descer
Num mergulho razante.
No céu também
Podemos contemplar
O balé das andorinhas
E nas beiradas do lago
As aves rasteiras
À procura de alimentos
E o passeio elegante
Das lindas garças.
Princesa dos lagos
Símbolo de beleza
Orgulho dos vianenses
Da baixada maranhense
Sempre serás exaltada
E eternamente amada.
.
.

      Alan Rubens

 


 

 

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O INVERNO

.
.
O inverno também mudava nossa rotina em outros aspectos. Parecia que Deus mudava o tempo e os ventos, trovões e relâmpagos passavam a marcar presença. Após a ventania era hora de juntar as mangas caídas com o furor do  vento, disputando-as.  Após, era hora de ir pra dentro e ficar quieto porquê os trovões eram sinais que Deus estava zangado com alguma desobediência nossa.
E, então, eu pensava que era tudo verdade, mesmo porque era nesse período de inverno que meus irmãos fugiam de casa para banhar escondido na enseada do senhor Bacholi, e eu acho que foi esse o único motivo das poucas surras que levaram dos nossos pais.
O interessante é que esses dias também traziam mais fartura de comidas. Eram cofos e cofos de peixes exibindo muitas variedades e tamanhos. Não tinha turno definido para a oferta, pois os pescadores ficavam ali com seus cofos desde a manhã até à tardinha, enquanto a buzina, feita de um chifre de boi bem lixado e polido, soava bonito e forte no ar vianense, se faziam ouvir até as casas mais distantes a anunciar a chegada dos pescadores nas calçadas das nossas ruas, vindos de diversos lugares: Tapira, Porto do Moquiço, Porto da Cadeia, Igarapé do Engenho, Lago, Capoeira, etc.
A menina que eu era ficava olhando o vira e mexe dos cofos de pindova entrançados artisticamente sendo sacudidos para a escolha, restando sempre no fundo uns menores. Mas, os pequenos eram bem poucos e nem se comparam com os que se vêem agora.
Havia fartura e variedade de tamanhos e espécies: curimatá, pescada, surubim (peixe grande e gordo), liro, mandubé,  mandí, bagrinho, viola, acará preta, calambanje, jeju, traíra e piranhas de todas as cores, brancas, vermelhas e pretas, esta última de grande sabor e recheada de ovinhos.
As traíras podiam ser comidas no mesmo dia cozidas, fritas, recheadas ou de escabeche (fritas e depois cozidas) ou, então, eram consertadas (tratadas) para fazer jabiracas, que são as traíras secas.
Eu sempre ficava a observar e admirar o trabalho de Dona Neli na transformação das traíras em jabiracas, que começava no próprio cofo quando a dita senhora separava as cabeças das coitadinhas, que eram vendidas separadamente. Em seguida, fazia uns cortes difíceis de dentro para fora, retirando as tripas e todas as vísceras que continha na barriga dos peixes, para depois revira-las achatando-as e salgá-las. Feito isto, mais três dias secando ao sol, e estava pronta a famosa jabiraca para comer cozida, assada ou fazer aquela deliciosa torta de tarira, que deixa a língua dos baixadeiros nadando em saliva ante a simples lembrança.
Parecia que o relógio de parede de vovô Ribamar Costa combinava para marcar a hora que eles chegavam. Como também marcava a hora de almoçar, de jantar, e até a de anunciar na madrugada a hora da partida dos pescadores vizinhos para a pescaria novamente. Era um antigo pêndulo que batia pra lá e pra cá e tinha uma portinha de vidro com um enfeite pintado de preto na moldura.
Seu Ribamar Costa tinha também a grande e velha balança que emprestava para pesar o pescado.
Lembro estas pequenas coisas porque sempre fui, e serei, apaixonada pelas coisas dos tempos de criança que sempre me fizeram tão bem, como a barreira de Neusa, seu jardim secreto com espadas de S. Jorge e amores-perfeitos azulados, a água escorrendo e levando consigo o massapê, espécie de barro vermelho.
Tudo, ou quase tudo, isso já não existe mais para o nosso olhar físico. Mas, cristalizei cada detalhe e entesourei-os em um lugar que imagino ser seguro, porque mesmo que os anos passem, que as fotos amarelem e a vida nos oferte momentos desagradáveis a nos afastar dessas coisas boas, eu continuei firme no intento de fazer meus registros e guardei as minhas lembranças no coração. Por isso elas cumprem comigo um pouco do registro enquanto tenho tempo.
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Laurinete Coelho

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