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Rui de Zica, a arte do detalhe

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*Nonato Reis
.
.
Rui de Zica, que vem a ser meu primo, foi o sujeito mais perfeccionista que conheci. Era meticuloso, preso aos detalhes das coisas até a alma. Nunca vi ninguém preparar uma gaiola para passarinhos com tamanha precisão. Cada peça parecia milimetricamente calculada, polida e envernizada. Eu tinha a sensação de que, mais do que gaiola, o passarinho se sentia ali numa prisão de luxo.
E os caniços de pescar piranha? Rui passava dias limpando as varetas de Ameju (uma planta de caule fino e reto, porém firme). As ramificações dos galhos eram alvos de especial atenção. Com um canivete devidamente afiado, e à semelhança de um cirurgião plástico, ele retirava até as microscópicas felpas, para que delas não restassem mais do que marcas na madeira. Dava gosto ver os apetrechos de pesca de Rui, que mais pareciam obras de arte.
Rui, porém, não era apenas um artesão de fino trato. Por trás do talento com a arte manual, havia um gênio impulsivo e rabugento. Não tolerava barulho durante as pescarias, o que o obrigava a manter distância das coivaras, onde a molecada “fazia a festa na maior vadiagem”.
Pescar junto com Rui, no entanto, tinha lá suas vantagens. Exímio tarrafeiro, dividir a canoa com ele era a garantia de peixe na mesa, e da melhor qualidade. Com Rui não havia tempo ruim no rio. Os demais pescadores podiam voltar de mãos vazias para casa, menos ele, que trazia os cofos sempre abastecidos de piranhas, curimatãs e surubins.
Um dia ele me convidou para uma pescaria nos campos inundados do Ibacazinho. “É a época das sararás (curimatãs pequenas)”, disse-me.
Eu assumi o leme da canoa; ele foi para a proa, com a tarrafa e os cacetinhos (pequenas pedaços de varinhas arremessados na água em tempos distintos, para atrair os peixes).
Algumas horas depois, a canoa repleta de peixes, e eu já louco para retornar a terra firme, atraído pela pelada de todos os dias, sempre a partir das 4 da tarde, no campo da Fazenda Bacazinho, Rui não dava sinais de encerrar a pescaria, animado com a fartura de peixe.
Ele apurou os ouvidos e achou que localizara um ponto de concentração de cardumes. Então pediu-me que impulsionasse a canoa a toda velocidade na direção do local pretendido.
E assim foi. Porém, quando a canoa atingiu a posição ideal e ele lançou a tarrafa na água, eu, na ânsia de frear a embarcação, arremessei a vara ao fundo com toda a força, como se fosse uma âncora. A canoa empacou de vez e Rui perdeu o equilíbrio, mergulhando na água com tarrafa e tudo.
Eu, sabendo da confusão em que me metera, nem o esperei flutuar. Também me joguei na água e tratei de nadar até a margem do rio. Alcancei terra firme e corri até o campo de futebol, não sem antes ouvir os berros de Rui, a me praguejar. “Volta aqui, seu moleque!”.
Rui era bom dançarino e isso chamou a atenção da minha irmã mais velha, que morava em São Luís e se encontrava de férias no Ibacazinho. Ao perceber o interesse dos dois, chamei-a a um canto e a advertir, com um misto de ciúme e verdade:
– Não te mete com Rui
Ela quis saber por quê.
– Ele é fresco.
Ela arregalou os olhos, e eu apressei-me a explicar:
– É fresco de chatice, não é fresco, fresco.
Rui tinha muitas qualidades, porém a que eu mais admirava nele era a de não ter medo das coisas do além. Foi o único sujeito que se atreveu a morar na Tapera de Maria Fernandes, famosa pela aparição de espíritos.
E quando a nossa tia-avó Punina faleceu, abriu mão de participar da sentinela, para cumprir o pacto a que os dois haviam selado em vida: aquele que morresse primeiro haveria de dar testemunho ao outro na noite do velório. Rui foi para casa e, sozinho, em plena tapera assombrada, passou a noite à espera do espectro prometido.
No dia seguinte, com uma ponta de frustração, contou que aguardara em vão por Punina. “Ela não cumpriu a promessa. Falhou comigo”.

Integra o livro de crônicas “A Fazenda Bacazinho”, com lançamento para setembro/2019.

* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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