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SEBASTIÃO XOXOTA E O DILEMA DE SER OU NÃO SER

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Nonato Reis*

.

Com ele eu vivi toda infância e puberdade. Foi meu parceiro de vadiagem, confidente e amigo. Também professor. Quando me entendi por gente, ele já dobrava a curva da adolescência e se preparava para se tornar dono do próprio nariz. Era uma espécie de irmão mais velho, às vezes me defendendo do perigo, outras vezes mergulhando comigo nas situações mais vexatórias.

Refratário em muitas coisas, Sebastião Xoxota foi a minha sombra na alegria e na tristeza, nas derrotas e nas vitórias, no riso e na dor. Onde quer que eu estivesse, lá estava também Tião, como cúmplice, para o bem ou para o mal.

Era filho de “Cajueiro, o Grande”, o sujeito mais corajoso do Ibacazinho, um lugarejo distante 40 minutos a pé da sede do município, Viana. Além da coragem, do pai herdara a disposição para o trabalho, que o mantinha em jornadas diárias de até 12 horas. E também a falta de jeito com as mulheres. Uma vez tentou beijar uma jovem na marra e foi premiado com um tapa na cara. “Aquilo doeu na alma. Mas não revidei não! Porque homem não bate em mulher”.

Devo a ele a descoberta de como são feitos os filhos. Eu, inocente até a alma, acreditava no velho conto de fadas. “Eles são deixados à noite na barriga da mãe pela cegonha”. Tião me olhou daquele seu jeito enfezado e rechaçou. “Cegonha uma ova! A gente nasce é de uma trepada. O pai sobe na mãe e emprenha ela, que nem garrote com a novilha.

Aquilo me deixou desconcertado. Não podia ser. Jamais aceitaria que dona Eulina, uma santa aos meus olhos, pudesse se submeter àquele ritual tosco. “Mamãe nunca que faria isso!”. Tião sorriu irônico. “Pois então acorda de madruga e apura os ouvidos”.
Na dúvida, fui ter com a professora, uma mulher baixinha de cara amarrada, que parecia porteiro de hotel. A professora, ruborizada, me explicou a coisa com uma alegoria. “O homem e a mulher se deitam juntos. Ele por cima dela. E aí ele coloca dentro dela uma sementinha, que depois vira menino e nasce”.

Tião era craque em Matemática, e só. Nas demais disciplinas, não havia jeito de aprender coisa alguma. Durante as sabatinas, sofria com a palmatória. Certa vez, uma prima, acertando uma questão que ele perdera, ganhara o direito de presenteá-lo com meia dúzia de “bolos”. A cada bolo, Tião se contorcia de dor, para o deleite da prima. Com a mão vermelha e inchada, ele olhou a prima com sangue nos olhos e ameaçou. “Deixe estar. Eu te pego, vadia!”

Veio a sabatina de cálculo mental, a prima errou, Tião acertou. De palmatória em punho, ele pegou a mão da prima, pressionou os dedos para traz até ela gritar de dor e deu-lhe uma pancada tão violenta que a mão da prima na mesma hora ficou roxa e sangrou. Os dois cortaram relação e nunca mais se falaram.

O que desnorteava Tião era um detalhe que trazia às costas, abaixo dos rins, quase na junção da coluna com a bacia. Uma saliência de músculos em forma de triângulo, que lembrava a anatomia do sexo feminino. Tinham até pelos ao redor. A molecada do lugar, quando percebeu aquilo, logo o batizou de “Sebastião Xoxota”. O apelido correu mundo. Para onde ia sempre havia alguém que o conhecia, a chamá-lo com aquela alcunha que tanto o contrariava e tirava do sério.

No começo até tentou aceitar a má sina sem maiores problemas. Aos que, atraídos pela anomalia, tentavam se aproximar e fazer perguntas, ele apenas advertia: “Olham, mas não bulam”. A situação, porém, logo fugiu
do controle. Mais do que ver, as pessoas queriam tocar, apalpar e até pressionar com a ponta dos dedos.
No auge da raiva, Tião sacou de um facão e com a lâmina deu uma surra em três moleques, que tentavam tirar sarro da cara dele.
Em pouco tempo, os moradores do lugar chegaram à conclusão que Tião só podia ser uma mistura de homem e mulher. “Se aquilo nasceu nas costas dele, significa que é uma fêmea enrustida”. “A prova que também é mulher tá na cara, ou melhor, nas costas. É veado, sim, senhor”.

Para Tião, filho e neto de cabra macho, e com a responsabilidade de dar continuidade à linhagem da família, aquilo era demais. O peito sufocado e sem saber o que fazer, chegou pra mim e resumiu o seu sofrimento. “É uma dor que esmaga o peito”.

Tião tinha então 26 anos e ainda era virgem. Eu, com ar de quem sabe das coisas, entendi que só havia um jeito de desatar aquele nó. “Tião, deita com uma mulher. Com ela tu resolve esse troço”.

Procurou o bordel da cidade e alugou um quarto por duas horas com uma garota morena, de seios fartos e bunda grande. No desespero de provar a sua masculinidade a si mesmo, brochou de não ter jeito. A garota pediu-lhe calma. “Isso acontece. Você precisa de estímulo”. E encostou o dedo no traseiro de Tião, ao que ele reagiu bruscamente. “Minha senhora, isso não se faz com um macho que nem eu! Quem a senhora pensa que sou?”.
Mais uma vez ela pediu calma. “Não se desassossegue. Tem homem que gosta”. Foi então que pediu para Tião virar de costas, uma massagem bem feita operava milagres, quem sabe o pinto não acordava! Porém, ao dar de cara com aquilo nas costas de Tião, a mulher danou-se a sorrir de um jeito incontido. Depois o que era riso evoluiu para gargalhadas de não mais ter fim. Por último, com as mãos deslizando nervosamente sobre a saliência de Tião, comentou em voz baixa. “O senhor, de macho só tem o corpo. Mas a coisa é de mulher, tá aqui nas minhas mãos”.

.

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* Nonato Reis é jornalista e escritor. Trabalhou nos principais jornais de São Luís. Foi correspondente da Folha de S. Paulo. Tem dois livros de romance publicados: “Lipe e Juliana” (2017) e “A saga de Amaralinda” ( 2018)

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