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Viana – torrão gentil

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A cidade de Viana situa-se na Baixada Maranhense, região caracterizada por um emaranhado de rios e lagos que transbordam no período chuvoso (fevereiro a junho), formando um imenso oceano de água doce.

Quarta cidade mais antiga do Maranhão, seu povoamento teve início em 1683, quando os jesuítas ali fundaram a Missão Nossa Senhora da Conceição do Maracu e criaram o Engenho São Bonifácio, na localidade conhecida como Igarapé do Engenho.

Com a nova política adotada pelo Marquês de Pombal e a consequente expulsão dos jesuítas do território brasileiro, o então governador do Maranhão, Gonçalo Pereira Lobato, em 8 de julho de 1757, elevou a nova povoação à categoria de “Vila” com o nome de Viana em homenagem à cidade portuguesa de Viana do Castelo.

Utilizando-se da mão de obra escrava, em meados do século 19 o município atingiu o apogeu comercial, advindo principalmente da lavoura do algodão, seguida do arroz, milho e mandioca. Durante o chamado “ciclo do ouro branco”, quando o Maranhão se tornou a 4ª Província mais rica do Império (depois do Rio, Bahia e Pernambuco), toda a produção de algodão da época, exportada pelo porto de São Luís para a Europa, provinha das cidades de Alcântara e Viana, segundo dados do Almanak do Maranhão (publicação anual que contabilizava a produção comercial da Província).

É justamente nesse período que a próspera Vila de Viana alcança o status de cidade, através da Lei Provincial N° 377 de 30 de junho de 1855. Cinco anos depois sua população já atingia a casa dos 8.387 habitantes, sendo 6.506 livres e 1.891 escravos. Em 1867, durante a guerra do Brasil com o Paraguai, o município de Viana tornou-se palco de uma das mais significativas insurreições de escravos ocorrida no país.

Paralela à prosperidade econômica, o município também se distinguia na produção literária com o aparecimento de vários jornais impressos. “O Alavanca”, surgido em 1876, foi o primeiro deles, mas logo novos periódicos semanais pontificariam na história da imprensa local, destacando-se entre eles, “O Vianense” por ter circulado por um período mais longo que os demais.

Berço de intelectuais como Estêvão Rafael de Carvalho, Antonio Bernardo da Encarnação e Silva, Celso Magalhães, os irmãos Antônio e Raimundo Lopes, Astolfo Serra, Ozimo de Carvalho e Travassos Furtado, a cidade igualmente ganharia destaque no campo da Música, exportando dezenas de profissionais gabaritados para São Luís e outras cidades brasileiras. A cantora e compositora Dilú Mello, autora de célebres canções como Saudades do Maranhão e Fiz a cama na varanda nasceu em Viana, onde iniciou seu aprendizado musical para, mais tarde (décadas de 1940/1950), alcançar o estrelato nacional.

Com a queda da exportação do algodão para a Europa e a posterior abolição da escravatura ainda no final do século 19, Viana conheceria o gradativo e irreversível declínio econômico. A partir das primeiras décadas do século 20, com o advento da ferrovia e posteriormente do transporte rodoviário, a cidade, que outrora havia sido beneficiada pelo comércio fluviomarinho, ficaria condenada ao isolamento geográfico por longo período.

Até o início da década de 1980, quando passou a ser servida permanentemente por via rodoviária, Viana ainda conservava quase intacta sua fisionomia arquitetônica colonial. A partir desse momento, por falta de políticas públicas de educação e de mecanismos de proteção ao patrimônio histórico, a cidade tornou-se vítima de insana dilapidação perpetrada, muitas vezes, pelos próprios administradores municipais. No entanto, apesar das depredações sofridas nas três últimas décadas, ainda se observa nítidos caracteres coloniais no seu centro histórico, como ruas estreitas e tortuosas, sobrados em ruínas e casarões revestidos de autênticos azulejos portugueses, bem ao estilo do século 19.

 

Hino 

Salve a terra abençoada
Viana torrão gentil
Rica pérola engastada
Nos adornos do Brasil

Veneza dileta amada
És filha do Maranhão
Berço de heróis destinada
A suprema comunhão

Refrão

Rútila estrela brilhante
Neste puro céu ameno
Lua cintila radiante
Sobre o teu lago sereno

Refrão

Salve pavilhão ridente
De lindas cores brilhantes
Que a mocidade contente
Te saúda delirante

Refrão

Fonte: Academia Vianense de Letras

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